Como eu faço pra achar a minha voz? Sério, eu sinto que estou gritando mas ninguém consegue me ouvir. Eu faço tanta força pra falar nessa multidão que parece que não tem lugar pra mim. Vai ver é isso, não tem lugar nenhum e eu continuo me esmagando aqui só porque ‘se tá cheio tá bom’. Eu e essa minha mania de tentar me encaixar onde não devo só porque devo.

Como eu faço pra alcançar o meu equilíbrio? Sinto que estou oscilando todos os dias sem saber ao certo para onde estou indo. Sigo para baixo e para cima, de um lado para o outro, quando na verdade todos os altos e baixos me alcançam e eu não chego a lugar algum. Como faz pra achar o balanço necessário para encarar os dias sem ser afetada por essa instabilidade?

Nunca vi disso de falar e não ser ouvida. Tem alguém aí para me escutar? Será que eu não tenho nada interessante pra dizer? Mas e aí que eu falo muito? Eu sei que temos duas orelhas e uma boca, mas me diz como faz pra segurar uma mente em fuga? O que eu faço com o que eu quero dizer? Finjo que não digo ou digo e finjo que disse?

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Nunca vi disso de estar em uma gangorra. Nem quando criança eu gostava desse brinquedo. E agora passo a maior parte do meu tempo enfrentando os altos e baixos que a vida me obriga. Ontem era pra ser um dia bom, mas não deu. Hoje comecei animada mas desanimei. E amanhã? Maldita insônia pelo amanhã.

Como eu faço pra achar a minha voz? Sério, eu sinto que estou gritando mas ninguém consegue me ouvir. Como eu faço pra filtrar esse bombardeio de informações e tudo o que nunca consigo acompanhar? Vai ver é isso, tem muito barulho. Como eu faço pra diminuir o ruído e finalmente me ouvir?

Como eu faço? Todo mundo quer falar. Ninguém quer ouvir. Todo mundo quer ser relevante, mas ninguém sabe conversar. Mas vem cá, na boa, não tem nada tão interessante assim sendo dito. Sinto tédio. Mas e agora, sou eu que não sou interessante ou o mundo que não sabe ouvir? E a minha própria voz, cadê? Impossível achar, perdi na multidão.

Aquela que fez da escrita o próprio divã. Crítica da vida alheia nas horas vagas. Curte um bom texto, vinho e jogar conversa fora. É viciada em paçoca e risadas. Tem coração bobo, cabelo pintado e desastres acumulados na cozinha. Atualmente mora em Sydney – Austrália.

26 comments on “Como eu faço pra achar a minha voz?”

  1. Te lendo, me lembrei do conto a Ilha do Nanja, da Cecília Meireles, onde ela diz ser uma garotinha à procura da voz. Mas sem nunca conseguir recolher o eco do próprio som… Na verdade, ela não critica a barulheira da multidão, mas nos revela ver em cada barulho e grito ao seu redor como uma ponte que a ajudará chegar onde é preciso. Todos, diz Cecília, são pontes para a poesia, pontes para melodias, pontes para a ternura, pontes para a amizade, pontes para a alma…
    Prefiro acreditar em Cecília.

    Não sei o que é pior, não poder ouvir a própria voz devido ao barulho exorbitante (e talvez esse seja o motivo que fez cecília ser otimista)… ou o contrário, estar silêncio, na montanha, vazio e solidão, e dar na mesma. O que é pior, no vácuo o som também não se propaga.

    https://www.youtube.com/watch?v=sh5mWzKlhQY

    Meu Olá, moça.
    =)

  2. Que texto ♥
    Isso de “sou eu que não sou interessante ou o mundo que não sabe ouvir?” é tão complicado, né? Às vezes, parece que não sabemos ouvir, mas também parece que as pessoas não querem nos ouvir. E, de uma hora para outra, oscilamos do “está tudo bem” para o “e agora?”.
    Adorei o texto, de verdade <3

  3. Oi Rebeca, tudo bem? Que reflexão mais incrível e atual. Precisei ler duas vezes para assimilar a ideia e então concordar com suas palavras. Acredito que hoje as pessoas estão assim… devido o poder das redes sociais todos querem falar, todos acreditam que tem o direito de se expressar, de mostrar ao mundo suas ideias. Mas elas não estão preocupadas em manter um diálogo elas querem falar só por falar. Só para demonstrar que estão ali. Muitas vezes o que falam não tem peso algum, são palavras ao vento. Muitas vezes não há nada de útil. São palavras sem reflexão, sem objetivo, sem propósito. É preciso dar espaço pra quem realmente tenha algo de diferente para mostrar ao mundo. Mas isso está cada vez mais difícil. Beijos, Érika =^.^=

    • Oii Erika, fico feliz em te ver aqui no blog de novo! Sim, exatamente isso. Hoje é fácil demais falar e somos bombardeados a todo momento com opiniões alheias. Mas ninguém quer ouvir (só quando inventaram um app pra isso haha). Enfim, obrigada por participar. Beijo

  4. Esse texto me lembrou muito algo que escrevi um tempinho atrás no blog (na verdade acho que é mais um tempão), em um dos meus incontáveis textos nas noites de insônia “Como na nossa tentativa de ser mais, acabamos sendo apenas mais um”. Claro, era uma frase em outro contexto, outro texto, mas durante toda a leitura do seu post, percebi que ela se encaixaria perfeitamente aqui também. Nós queremos tanto encontrar a nossa voz, ser ouvidos, ter alguém que nos escute, porque sempre sentimos que aquilo que temos à dizer é importante. O problema é que nessa tentativa, existem mais milhões de vozes que também querem um lugar no palco, e no meio dessa confusão de ruídos e barulhos, acabamos nos perdendo.

    Parabéns por esse texto incrível!
    Beijão

  5. E tudo fica ainda mais difícil quando você não se identifica com o que as pessoas acham interessante discutir! Você só tem você mesmo para te ouvir! Mas, a vida vai te ensinando a lidar e se acostumar com isso! É ruim mas é como é!

    Ótimo texto! Gostei muito❤️ Beijo

  6. Que texto incrível <3 Senti na pele todas as palavras, todo o sentimento que elas carregam. Uma das piores coisas do mundo é se sentir impotente assim, sem voz. E o pior é que, além de perder a própria voz a gente acaba se acostumando a ouvir a do outro, de onde muitas vezes só saem bobagens. E a gente faz disso um hábito, uma regra, uma religião. A voz do outro é o correto, e então nos perdemos.

    "E a minha própria voz, cadê? Impossível achar, perdi na multidão." MELHOR QUOTE <3

  7. Oi Rebeca! Esse texto fez com que eu parasse para refletir um pouco. A parte em que diz “todo mundo quer ser relevante, mas ninguém sabe conversar” e “mas e agora, sou eu que não sou interessante ou o mundo que não sabe ouvir?” foi como um tapa na cara. Hahaha! Porque eu me vejo fazendo essas coisas algumas vezes, tenho consciência disso e quero tentar mudar. Acho que é algo próprio do ser humano que precisa ser constantemente trabalhado sabe. Adorei mesmo! Beijoos!

    • Olá Deborah, seja bem vinda ao blog. Fico feliz em ver que o meu texto e ponto de vista fazem sentido pra você. Realmente a gente faz isso e nem percebe. Obrigada por participar e espero te ver aqui mais vezes. Beijos

  8. Aquele texto que nos faz refletir muito sobre o que nós somos e o que falamos. Se o iniciamos repletos de questionamentos, saímos dele ainda mais cheios. Na real é isso, falamos, falamos e falamos, mas será que somos de fato ouvidos? Será que fazemos de fato diferença? Fica ai o questionamento. Mas espero que sim, espero que nossa voz não seja a toa.

  9. Eu devo admitir que ainda estou absorvendo todos os sentidos que seu textos mostrou para mim, mas o que esteve mais presente durante a leitura foi a nossa própria situação como blogueiras: todos querem crescer e mostrar o seu conteúdo – e muitos e fato tem coisas maravilhosas para expor – mas ninguém vai a lugar algum enquanto não para por uma momento para simplesmente ouvir: a si mesma e ao mundo. Tem tantas outras interpretações possíveis! Achei incrível, parabéns pelo trabalho.
    Literalize-se

    • Oii Gislaine, feliz de ter você aqui no blog. Acredita que eu nem cheguei a interpretar o texto pensando no mundo do blog? Mas agora que você falou, faz todo o sentido também. Acho lindo o úniverso literário onde cada um pode entender como quiser. Super obrigada pela tua participação e por dividir comigo o que a minha escrita te trouxe. Espero te ver aqui novamente. Beijo

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