Se antigamente a grande questão levantada por Shakespeare era “ser ou não ser” e era extremamente inquietante, hoje a questão levantada por inúmeras mulheres, e inclusive você querida leitora, é “dar ou não dar”. Quero dizer, você conheceu um gatinho bem gatinho, saíram e ele está te deixando em casa. Sabem como é, um carro pode contar as mesmas histórias ou mais do que um sofá ou uma cama…

E não importa quanto tesão você sinta, o teu conflito contigo mesma é muito maior. Você não seguiu nenhuma das dicas que suas amigas enviaram no teu Whatsapp – mas não são elas que estão ali, com a pele sensível ao toque, ofegante, suada e clamando aos céus pra ele pensar bem de você independente da sua decisão.

O seu cérebro não para. Talvez ele esteja mais rápido do que as mãos do gatinho. “Afinal, o que define uma vadia? Será que se eu convidar ele pra subir eu sou uma?” Ah, francamente! Sinto muito mesmo que você pense tudo isso num raio de menos de vinte minutos e perca grande parte do momento pelo qual você planejou a semana inteira.

É meio triste pensar que você precisa de uma pré aprovação pra ser feliz, ou simplesmente fazer sexo. O que te incomoda mulher? Por que você tem que fingir que esse último “tempo” sem sexo não te deixou abalada? Grandes coisas: deixou muito mais que abalada. Você estava carente e querendo atenção – se de quebra rolasse um orgasmo, ia bem também. Não é?

Dar ou não dar?

Não deveria ter mais essa restrição toda sobre a sexualidade feminina. Por que é tão complicado entender que mulher adora sexo tanto quanto o homem? É simples, adora e sente falta igual. Tem mulher que só quer um lance mesmo, tem mulher que não quer namorar ou casar. E sim, acreditem se quiser, tem mulher que só quer convidar o gatinho pra subir sem que passem zilhões de paranoias na cabeça dela.

Talvez eu esteja um pouco crítica demais em 2014 com as revistas femininas, maaaaas… elas tem grande parcela de culpa sobre toda essa neurose não? Quero dizer, inúmeras edições de “como transformar o lance em namoro” e por aí vai. Acho que tá na hora da linha editorial das revistas e das leitoras se atualizarem.

Manual mesmo só tem um: o de redação. E quem deveria usar são os jornalistas. E só. No mais, a vida segue sem manual mesmo. Se for pra ser, seja. E se for pra dar, dê. Entre todos os dilemas – shakespearianos ou não, fique apenas com um dilema: a vida é minha ou deles, eis a questão.

Aquela que fez da escrita o próprio divã. Crítica da vida alheia nas horas vagas. Curte um bom texto, vinho e jogar conversa fora. É viciada em paçoca e risadas. Tem coração bobo, cabelo pintado e desastres acumulados na cozinha. Atualmente mora em Sydney – Austrália.

6 comments on “Dar ou não dar, eis a questão”

  1. Demaaaais, como sempre.

    Adorei a parte do “Você não seguiu nenhuma das dicas que suas amigas enviaram no teu Whatsapp – mas não são elas que estão ali…”

    Acho que a maioria das mulheres não aprendeu ainda a usar o melhor artifício nesses momentos: a própria vontade. Como você mesma escreveu, se quer dar, dê. E complemento: se não quer, dê tchau.

    Adorei o teu ponto de vista, Rê, como sempre!

    Beijos

  2. Primeira vez que visitei aqui e achei fantástico, infelizmente vivemos em um mundo machista onde as próprias mulheres são muito mais machistas que os homens, mas sou super a favor de fazer o que temos vontade e quando queremos, porque se for para “dar” na primeira vez faça com vontade, e se o homem não achar nada ruim nisso significa que ele é um fofo e raro hoje em dia e definitivamente é pra casar hahahaha

    • Sarah, fico contente que a sua primeira impressão do blog tenha sido positiva.. dizem que é a primeira que fica. HAHAHAHAHA
      E realmente o pensamento é tanto dos homens quanto das mulheres… terrível e triste pensar isso.

      E grande ponto você levantou: se for pra dá que seja com vontade. Por favor, né? E é claro, a maneira como o cara irá interpretar a situação diz muito sobre ele. ;)

      Obrigada por participar. Beijo.

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