Depois eu volto, mas por enquanto me deixe quieta. Não vou fazer drama, dizer que tudo está bagunçado e que nem sei pra onde estou indo porque não é verdade. Isso pode até ser o que você quer ouvir, só pra você conseguir me salvar, sabe? Mas eu não sou mais uma garotinha procurando por salvação. Está tudo bem, eu sei onde estou e pra onde vou.

Mas eu quero ficar quieta. Assim eu paro de me doer pelo desvio do caminho, pelo significado que um olhar carrega, pelo silêncio como resposta, pelo duplo sentido em conversas aleatórias, pelo roteiro pensado e nunca realizado, por tudo o que eu queria que tivesse acontecido e não aconteceu. Acredito que o silêncio vai acalmar todas as realidades alternativas que passeiam na minha mente.

Sabe como é, uma vida se passou e de uma forma meio inesperada ainda estamos aqui – nessa situação meio torta e inacabada. Então me diz que estou errada por cansar de fazer valer um espaço que já é meu? Ando sem paciência para o que é pequeno. E é por isso que eu quero ficar quieta e, quem sabe um dia, eu ainda consiga prender a tua atenção com alguma frase solta dentro de um silêncio meu.

Então me deixe quieta, de preferência sem interação humana, assim eu não assusto ninguém. Não anda fácil me fazer menor só pra conseguir ser entendida. Então me deixe no meu canto, pra eu parar de me entregar embrulhada de presente pra você, pra eu parar de te dar mais do que eu posso. Eu tô de boa, sério – só não estou mais afim de criar problema pra mim mesma e de tentar ver o que não está mais lá pra ser visto.

Depois eu volto, mas por enquanto me deixe quieta. Assim eu consigo parar de aumentar o que não tem mais tamanho só pra conseguir a tua atenção, ou me diminuir só pra caber no espaço que você me dá. Eu sei que dá pra deixar pra depois, não é nada assim tão importante. Por enquanto aceite o meu silêncio como amigo e procure outro diálogo vazio pra agradar o teu ego.

Eu sei que eu vou voltar. Eu sempre voltei não é mesmo? Levei um tempo pra entender esse meu jeito de ir e vir, esse hábito de me destruir até conseguir fazer as pazes comigo, esse meu jeito de levar tudo ao extremo pra somente depois encontrar equilíbrio. E finalmente aprendi a respeitar cada ida e vinda e cada silêncio que a minha alma pede pra me fazer inteira de novo. Depois eu volto, mas por enquanto me deixe ser.

Aquela que fez da escrita o próprio divã. Crítica da vida alheia nas horas vagas. Curte um bom texto, vinho e jogar conversa fora. É viciada em paçoca e risadas. Tem coração bobo, cabelo pintado e desastres acumulados na cozinha. Atualmente mora em Sydney – Austrália.

4 comments on “Depois eu volto”

  1. Rebeca, seus textos sempre me atingem em cheio… Sempre tem aquele pedacinho, mais ou menos no início, em que a coisa vem com um BAM, um misto de identificação com vontade de saber mais sobre seu lado da história, e à medida que a coisa progride o sentimento só aumento.
    Por isso que mesmo que eu saia daqui quando termino de ler um, depois eu volto!

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