Você é aquele que sabe usar a firmeza com capricho. Aquele que faz eu me arrepender por uma cena exagerada da minha parte só pra você fazer a barba. O meu corpo desliza pelo teu complementando aquilo que temos de melhor e a tua barba dá o toque final. Adoro teu toque, mas não gosto de final. Afinal, porque a gente tem que levantar mesmo? Temos aqui exatamente tudo o que precisamos. Podemos seguir o conselho do Cazuza e matarmos a nossa sede na saliva, sem problemas – desde que a gente continue aqui.

É que eu sou dessas paranóicas sabe? Meio enciumada e que conta as tuas sardinhas discretamente pra você não notar o quanto eu tenho cada fragmento do teu corpo decorado na minha mente. Talvez na ponta da língua? O meu complexo de você é aquele que deseja o relógio correndo ao contrário pra termos mais tempo juntos. Quanto tempo falta até o dia terminar e a gente se encontrar de novo? É que a melhor parte do meu dia, depois de tanto tempo, continua sendo te reencontrar.

Você

O meu problema é um só: sua falta. Então me liga no meio do dia pra perguntar o que eu tô vestindo igual ouvimos aquele padre falar que tem que fazer (oi?) ou me manda um Whatsapp pra falar que pensou em mim. Tô aceitando sinal de fumaça também. Porque o toque do despertador até o seu toque de novo tá demorando tanto, mesmo que eu tenha acordado atrasada e, sem querer, tenha ficado mais tempo agarrada com você. Ameniza essa espera e me mostra que você também sente isso. Você me sente?

Não que eu precise te dizer, mas eu te sinto o dia inteiro. Talvez seja porque eu tenho essa mania de me misturar em você e até nos teus agasalhos de ficar em casa. Eu sei que você tenta me convencer do quanto eu fico bem com a tua camiseta, mas é que eu tenho esse hábito de ir contra o meu jeito menina. E tudo o que eu quero é ser tua mulher. Então não liga muito pra essa minha mania de perfeição não, no fundo bem esmagado de alguma parte infantil minha, eu tô tentando te mostrar que posso ser o que você precisa que eu seja.

Esse é o reflexo das tuas ações, me fazer sentir sempre menina. Aquela adolescente tonta de tanto amor. Talvez seja porque tudo o que você fez pra mim, ou por mim, tenha sido me proteger e me mostrar o lado bom do mundo, quando nem eu acreditava mais. E não é que foi fácil aceitar que o mundo pode ser um bom lugar pra viver?

Então, desde que a gente continue aqui, tudo continuará sendo bom.

Aquela que fez da escrita o próprio divã. Crítica da vida alheia nas horas vagas. Curte um bom texto, vinho e jogar conversa fora. É viciada em paçoca e risadas. Tem coração bobo, cabelo pintado e desastres acumulados na cozinha. Atualmente mora em Sydney – Austrália.

2 comments on “Desde que a gente continue aqui”

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