Eu não quero ser intensa. Juro. Se fosse por escolha eu seria pós graduada em deboísmo. Eu levaria a vida tão numa boa que eu nem precisaria escrever sobre ser muito ou sentir muito ou tentar muito. Sério, eu não queria reagir tanto quando a vida bate. E acima de tudo, eu queria reagir de forma mais racional quando tenho que encarar o que sinto.

Eu sei que quando você me olhou nos olhos e disse que eu fazia muito de pouco foi um elogio. Eu sei que a minha forma de tentar interpretar todos os significados de uma só sentença te encantou. Eu sei que o meu jeito de tentar te entender acabou te fazendo encarar a vida de uma forma diferente e autêntica. E sejamos francos, eu sei que eu curei o teu tédio.

Ok, meu jeito drama mexicano de levar a vida é um pouco excessivo. Eu não consigo fazer o meu filtro funcionar e não reagir a tudo o tempo inteiro. Eu me importo mais do que você. E quase sempre eu perco o sono com algumas possibilidades impossíveis de acontecer, mas que na minha cabeça são mais do que reais. Eu sei que não faz sentido, mas eu estou o tempo todo me preparando para uma guerra inexistente.

Eu sei que você me olha como se eu me defendesse o tempo inteiro. E isso faz sentido, nunca fui de baixar a guarda. Mas se a vida não é um eterno preparar para o dia seguinte, eu aprendi tudo errado. Eu gosto de pensar que a minha forma intensa de encarar os dias, de me defender de tudo e todos e, acima de tudo, construir um mundo imaginário na minha cabeça, é uma maneira de questionar e evoluir.

Eu não quero ser intensa. Juro. Mas eu sinto que se eu não enfrentar tudo como se fosse o fim do mundo, a vida acaba sendo entediante. E de tédio eu tenho alergia. Então me diz, você me salvaria do tédio tanto quanto eu te salvei? Sabe como é, eu não tenho certeza do quão longe você está disposto a ir. E, diante do incerto, tudo o que me resta é manter essa intensidade que me faz seguir em frente implorando por mais.

Aquela que fez da escrita o próprio divã. Crítica da vida alheia nas horas vagas. Curte um bom texto, vinho e jogar conversa fora. É viciada em paçoca e risadas. Tem coração bobo, cabelo pintado e desastres acumulados na cozinha. Atualmente mora em Sydney – Austrália.

31 comments on “Eu não quero ser intensa”

  1. Sempre, sempre mesmo, numa relação, nos interessamos pelo nosso oposto. Já reparou? Sempre vemos o mais sonhador com um mais realista, o mais nervoso com um mais calmo, o mais festeiro com um mais caseiro, o mais dispendioso com um mais econômico. O mais intenso com o mais sensato, centrado. É uma forma de equilibrar o barco e este não afundar. E não estou falando que seja fácil lidar com o que nos é diferente. Mas é aquela coisa, sempre admiramos algo pelo que este é, com razões… Mas amar, amar mesmo, é sempre sem razão.

    Diga-me, qual a garantia que um intenso, relacionando com outro intenso, por igualdade de transbordamento, faz a relação ser intensa?

    Os últimos dois intensos que vi se relacionando, ambos quase se mataram. Tédio não havia, mas também nem respeito, cuidado, abertura pra ouvir, diálogo, objetivos em comum que fizessem andar lado a lado…

    A pergunta é: preferimos intensidade, tal qual um Vinicius de Moraes declamando que seja infinito enquanto dure…ou intensidade tal qual uma Florbela Espanca, versando sem medo do tédio da eternidade que tu és meu principio e fim?

    Olá moça.
    =)

    • Desculpe-me estender, mas… Desde quando lidar com o que nos é diferente, é-nos entediante? Por isso há homem e mulher, dois universos distintos. Onde homem e mulher são iguais?

      Por isso hoje em dia, talvez, a escolha consciente por relacionar com seres do mesmo sexo, tenha o objetivo de fugir dessas diferenças gritantes de comportamento, psicologia, biologia, emocional, entre homem e mulher. Um homem não lida com TPM com outro homem. Mulher não lida com a insensibilidade masculina com outra mulher. Pensam que ao cortar as diferenças, a relação será mais intensa, e menos conflitante.

      Por isso tudo Beca, onde uma relação homem e mulher, naturalmente fadada a conflitos por questão da diferença dos sexos, pode ser entediante? Pode ser bagunçada, caótica, irritante, ter altos e baixos, dia de paz e dias de luta, mas tédio acho bem difícil.

      Por si só homens e mulheres juntos animam o globo terrestre com seus desvarios de convivência. Tentativas com erros e acertos.
      Pode ser tudo, menos tédio.

      =)

  2. Realmente, tem que enfrentar tudo como se fosse o fim do mundo sim, se não a vida fica sem graça!
    Eu sou intensa assim como você (ou a personagem do texto), pouca coisa pra mim é muito! E eu também queria não ser tãaaao intensa assim, mas fazer o que!

  3. Uma confissão: adoro quando vejo o link do seu blog por aí e sempre dou uma passadinha por aqui, mesmo que nem sempre deixe um comentário. Sobre ser intensa… eu fico na dúvida se sou ou não. Porque eu vivo tudo ao máximo, mas depois racionalizo cada pedacinho, reflito sobre cada sentença e tento entender cada detalhe. Ser intensa e ser racional, possível?
    Literalize-se

  4. Oi Rebeca, tudo bem? Seus textos como sempre trazendo tantos sentimentos bons. Acredito que quando passamos a vida sem externar o que sentimos ela realmente se torna monótona. É preciso viver intensamente, chorar, sorrir, abraçar, correr, e tudo isso de alma aberta, de alma livre. O que seria de nós sem nossas emoções? O que seria de nós sem nossos sentimentos? É essa intensidade de viver a vida que faz das pessoas umas diferentes das outras. Beijos, Érika =^.^=

  5. Acredito que o legal do ser humano é essa diferença. Admiro muito quem consegue levar a vida de forma intensa, ou tranquilamente, pois eu ainda não cheguei a uma conclusão de como levo a MINHA. Tem horas em que eu simplesmente sinto demais, choro, rio, danço, grito… e em outras, a vida pra mim é um quadro imaculado e tranquilo.

    Não se sinta mal pelo jeito que você lida com tudo. É excepcionalidade que faz de nós seres únicos hehe *-* Adorei o texto!

  6. Oi Rebeca! Adorei sua escrita e me identifiquei muito com o texto. Também sou a intensa da relação e, apesar disso trazer alguns prejuizos, a verdade é que isso deixa a vida com mais graça. De tedio tbm tenho alergia!

  7. GU.RI.A! Que textão!! eu amo textos assim, onde a gente fala sobre nós mesmas, se encontra, se perde, se descobre <3 teu tipo de escrita bate muito com o meu. E SIM, eu também sou muito intensa e sempre fasço uma tempestade no copo d'água. Às vezes tem os contras, mas a gente se diverte hahaha

  8. Esse é
    definitivamente
    seu texto favorito meu (que?)

    juro que me deu um comichão p pegar o link e mandar para um certo alguém, mas não devo. you know how things can be complicated, dont you?

    me escreveu
    se escreveu
    e escreveu várias dessas pessoas que assim como a gente, sentem demais, pensam demais, mergulham demais, protegem-se demais.
    já dizia seu outro texto, mas “não somos muito, somos nós mesmos.” algo assim rs

    eu nem sei o que dizer
    só sentir.
    e gata, eu senti o impacto.

  9. Rebeca, tu escreve tão bem que é impossível não se envolver enquanto se lê teus textos, sério. Eu adorei esse e me identifiquei com algumas partes, eu sou mais intensa pra mim do que pros outros, sabe? Não sei se dá pra entender, sou meio doida mermo hahahaha. Mas enfim, amei <3
    Um beijão,
    Gabs | likegabs.blogspot.com ❥

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