Eu nunca entendi quando me falavam que um dia alguém muito especial iria transformar os meus dias em dias especiais e trazer muitas coisas especiais para a minha vida que ainda não era tão especial assim só porque esse alguém ainda não tinha aparecido. É difícil quando te pedem pra acreditar que você precisa de alguém do seu lado pra ser especial. Quase não faz sentido. 

Eu nunca entendi isso de um alguém vir bagunçar a tua vida e ser uma bagunça que te leva pra frente. Como se eu já não tivesse bagunça o suficiente pra me preocupar, vai vir alguém  trazer uma bagunça da qual eu não tenho tempo pra ajudar a arrumar? Não é como se eu procurasse fugir, eu gosto da minha bagunça. Mas não, ninguém vai vir bagunçar nada por aqui não – deu um trabalho do caramba pra organizar.

Eu nunca entendi isso de esperar pela pessoa certa e que o mundo estava fazendo essa pessoa certa esperar por mim também para finalmente nos encontrarmos. É que não faz muito sentido, sabe? Pra mim tudo é passageiro, tão passageiro que é difícil acompanhar as idas e vindas, e depende só de mim tirar o máximo das pessoas e dos aprendizados que elas trazem. Ninguém está esperando por ninguém não, é tudo uma questão de good timing.

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Eu nunca entendi isso de dizer não quando se quer dizer sim – mais conhecido como fazer doce. Eu sou verdadeira demais pra brincar com as pessoas que investem tempo em mim. E sim, sigo acreditando no melhor de todo mundo. A vida é muito curta pra não dizer o que se quer dizer. Se eu quiser ligar, eu ligo. Se eu quiser mandar mensagem, eu mando. Até porque o que não é dito, mais cedo ou mais tarde, acaba sufocando.

Eu nunca entendi nada disso, sério. Alguns seguem acreditando que precisam de alguém para serem especiais. Outros seguem esperando para se ocuparem com a bagunça alheia e não precisarem organizar a própria vida. Poucos seguem esperando por aquele alguém que também está esperando e um dia irão se encontrar. A maioria ainda diz não querendo dizer sim, ainda deixa de ligar mesmo tremendo de vontade de ouvir a voz do outro lado.

Eu nunca entendi isso de não ser verdadeiro consigo mesmo. De seguir por um caminho já trilhado, um discurso decorado, um filme já visto. Eu preciso do novo, de pessoas passageiras e novas lições todos os dias. Eu preciso que a minha vida seja movimento, e que eu saiba abrir espaço para me surpreender. O que eu entendo é de seguir assim, sem entender nada e tirando o máximo de tudo.

Aquela que fez da escrita o próprio divã. Crítica da vida alheia nas horas vagas. Curte um bom texto, vinho e jogar conversa fora. É viciada em paçoca e risadas. Tem coração bobo, cabelo pintado e desastres acumulados na cozinha. Atualmente mora em Sydney – Austrália.

18 comments on “Eu nunca entendi”

  1. Ah, Rebeca!
    Não consigo nem colocar em palavras o quanto eu já fico feliz só de entrar aqui no seu cantinho. Antes mesmo de começar a ler sei que seu texto vai me atravessar, me tocar de alguma forma – e você nunca, nunca falha! Eu não sei que tipo de pessoa sou, em que “categoria” me encaixaria: só sei que odeio esperar e correr nunca foi meu forte.
    Literalize-se

  2. Oi Rebeca!
    Gosto muito da ideia de que cada um precisa ser suficiente para si mesmo antes que alguém chegue, e, esse alguém só vai somar, nunca completar. Temos que ser nossa própria completude, nosso próprio copo cheio, porque, quando esse tal alguém, ou qualquer outro aparecer, o trabalho deles não é tapar o que nos carece, mas sim, deixar que tudo que temos seja aumentado. Se for para deixar mais bagunçado, que deixe, pra deixar mais organizado, que arrume. Mas que venha para mais, não para mostrar algo que já deveria estar aqui o tempo todo. <3 Devemos ser os capitães dos navios das nossas jornadas e escolhemos, bombordo ou estibordo, sim ou não, conforme queremos, sempre! <3
    xoxo

  3. Oi Rebeca, tudo bem? Cada texto seu inspira tantos sentimentos impossível simplesmente ler sem sentir nada. Sendo sincera eu nunca entendi entendia o porque precisávamos passar por tantos relacionamentos “ruins” para chegar num que nos faria “feliz”. Nunca entendia porque precisávamos passar por algumas situações pra depois valorizar onde íamos chegar. Hoje bastante tempo depois, muitos relacionamentos depois e lágrimas também enfim consegui entender. Acredito que é tudo questão de maturidade. É tudo questão de aprendizado. As pessoas que passam pelas nossas vidas sempre têm algo a nos ensinar. Devemos nos esforçar para aprender ou “perder essa aula”. Mesmo que as vezes não nos perdoemos pelos erros que cometemos até eles são bons professores! Beijos, Érika =^.^=

  4. Que texto lindo! Acho tão incrível quando uma pessoa consegue organizar as ideias, deixá-las coerentes, e transforma-las num texto. Raramente eu consigo hehe.
    Bom, ler seu post me causou muitos sentimentos, pois ao mesmo tempo que eu me identifico e muito com a maioria das coisas ditas, têm traços na minha personalidade que não me permitem ficar ~feliz~ por lembrar que pessoas são passageiras, mesmo eu sabendo que isso é a mais pura verdade! É muito doido pensar que, mesmo eu tendo consciência disso e você também, temos pensamentos um pouco diferentes :) mas a graça é isso!
    Beijos e parabéns.

  5. Eu dei uma risadinha de identificação no início do seu texto, Rebeca… Juro que dei! E ela virou um sorriso até o final dele. Me fez lembrar de quando ouvi de alguém que, “pro meu bem”, desabafou: Você é legal demais pra estar sozinha!
    Ou seja… Você tem que ser legal pro outro. Tem que ser legal pra OUTRA PESSOA te fazer especial. tem que ser legal pra OUTRA PESSOA te bagunçar. Tem que ser legal pra que ALGUÉM seja o certo pra você… Nada contra o dizer sim (porque quando a gente quer, tem que dizer mesmo!), ele é maravilhoso. Mas tanto o sim quanto o não podem ser maravilhosos, nesse caso.

    Adorei demais!Não precisou de mais ninguém além de você na hora de criar um texto tão gostoso assim…

  6. Adorei o texto, me fez me questionar tantas coisas e me identifiquei muito com diversas coisas que vc citou. Eu acredito que certas coisas a gente realmente nunca entende, na verdade, não sei se o objetivo delas é ser entendida, acho que elas devem ser somente vividas.
    Beijos,

    Amanda

    http://www.amandasoldi.com

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