Eu queria poder te esquecer da mesma forma que você me esqueceu. Esquecer mesmo, parar de pensar e lembrar todos os dias que você se foi. Eu queria acordar e não ter você como o primeiro pensamento da manhã. Já pensou o quão livre eu seria só de enfrentar os meus dias sem desviar a minha mente pensando em você?

Eu queria poder te desconsiderar da mesma forma que você não me considerou. Só queria enfrentar os dias sem querer compartilhar com você algo bom ou ruim que tenha acontecido. Eu queria não sentir a tua falta da forma como eu sinto e não te julgar da forma que eu julgo. De uma maneira nada sutil você me ensinou que querer não é poder.

Eu queria te esquecer da mesma forma que você me esqueceu. Esquecer mesmo, ir pra casa e fazer janta sem lembrar o quão terrível você era na cozinha – exceto pelo teu macarrão alho e óleo. Eu queria esquecer você e não me sentir culpada por querer isso. Afinal, se você não carrega culpa alguma, por que eu deveria?

Eu queria seguir em frente sem considerar o passado. Eu não queria que você fosse passado, eu te queria aqui aproveitando o presente comigo. Você não me deu chance pra te mostrar que o mundo pode e deve ser melhor. E agora fico eu aqui, oscilando entre acreditar ou não em um mundo bom. Por que você quis ser dúvida, quando poderia ter sido certeza?

Eu queria tudo diferente, mas que diferença isso faz? Por mais que eu queira você fora da minha vida, parte do que sou é você e isso nunca vai mudar. Mas só pra você saber, eu não me arrependo da sua presença no meu caminho. Se sou forte hoje, foi a tua fraqueza que me ensinou. Mas eu ainda queria poder te esquecer.

Aquela que fez da escrita o próprio divã. Crítica da vida alheia nas horas vagas. Curte um bom texto, vinho e jogar conversa fora. É viciada em paçoca e risadas. Tem coração bobo, cabelo pintado e desastres acumulados na cozinha. Atualmente mora em Sydney – Austrália.

4 comments on “Eu queria poder te esquecer”

  1. Acho que o que mais impede a gente de esquecer uma pessoa pela qual tivemos fortes sentimentos, é aquela esperança de que as coisas ainda podem acontecer ou mesmo aquele “e se?” que fica no fundinho da consciência, indo e vindo. Achei bem interessante e bem escrito o teu texto *-*

    Beijos, ♥ brilhodealuguel.com

    • Oii Thayse, realmente brincar de “e se” é bem perigoso. A mente também mente, e muitas vezes ficamos tão imersos no que sentimos que não percebemos que estamos nos enganando. Obrigada por participar e ser presente aqui no blog. Beijo

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