Eu quero fazer as pazes com o tempo. E para isso preciso assumir essa falta de controle – aquela que eu sempre achei que tinha. Como assim eu não tenho controle algum? Quem disse? Como alguém super acelerada e que não sabe parar, pode fazer as pazes com o tempo? Talvez eu tenha que colocar isso na minha to-do-list.

Sabe como é, essa sou eu, maníaca por controlar cada minuto do dia e por saber aonde estou investindo a minha energia. É que ter as minhas tarefas sob controle me faz sentir que também consigo controlar o tempo e todas as variáveis que os segundos trazem. E quando isso não acontece eu abro espaço para uma crise de ansiedade terrível. 

Isso de gerenciar o tempo nada mais é do que manter uma rotina estável para enganar a minha mente. É que fazer as pazes com o tempo requer mais do que simplesmente ficar bem com a falta dele. Quer dizer, eu realmente teria que não me importar com tudo o que não consegui fazer porque o dia acabou – gerenciar o tempo é uma ironia sem fim. 

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Paz.

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Agora, além de organizar o meu dia, eu também estou aprendendo a pegar leve – como dizem. Parece que é suficiente fazer o que posso com o tempo que tenho – mesmo que não pareça. Se eu continuar nesse ritmo, até aprendo a viver um dia de cada vez, como se a minha to-do-list não tivesse itens para o mês inteiro e metas para o resto do ano.

Ok, parece que tudo bem eu não ter uma vida pronta na casa dos vinte e poucos. E não é grande coisa se eu ainda não casei antes dos trinta e nem tenho um par de filhos antes dos trinta e cinco. Também parece que o tempo é relativo, então tudo indica que preciso aprender a confiar no meu próprio tempo. 

Confesso que não sei bem como lidar com as variáveis que o tempo trás. O tempo acaba de diferentes maneiras. Então carrego comigo essa pressão, como se não houvesse amanhã, pra fazer o máximo de coisas possíveis e diminuir o volume desse tic-tac incansável dentro da minha mente.

Por isso eu quero fazer as pazes com o tempo. Pra entender que nem sempre o tempo vai estar a meu favor. Eu ainda vou lidar com atrasos, com aquela maldita ansiedade pelo dia seguinte, com itens deixados para depois e recomeços. Querer ganhar do tempo nada mais é do que uma tentativa de chegar ao final do dia e sentir que eu fiz mais do que o tempo me permitiu.

Aquela que fez da escrita o próprio divã. Crítica da vida alheia nas horas vagas. Curte um bom texto, vinho e jogar conversa fora. É viciada em paçoca e risadas. Tem coração bobo, cabelo pintado e desastres acumulados na cozinha. Atualmente mora em Sydney – Austrália.

9 comments on “Eu quero fazer as pazes com o tempo”

  1. Fazer as pazes com o tempo é um sonho, né? Porque, cá entre nós, o tempo pode ser DESESPERADOR quando você ainda está tentando trilhar seu caminho, e na verdade estamos TODOS nessa situação! Espero de verdade que você consiga gerenciar o seu para atingir todas essas metas que deseja! Acho bom isso aprender a pegar leve mesmo e cuidar de você, porque mesmo tomando conta dos nossos pensamentos a todo momento esse tempo que tanto nos atormenta, na verdade, às vezes sequer existe.

  2. Ai amiga, esse sentimento de que 24h ou uma semana inteira não cabem todos os nossos planos. Quando não estou de bem com ele, perco o próprio tempo lamentando por não ter tempo. Que paradoxo!
    A gente tem mesmo que pegar mais leve.
    Seus textos são uma leveza no meio de um dia agitado.
    mil beijinhos

  3. Também tô querendo fazer as pazes com o tempo. Não é lá tarefa fácil, mas tenho lutado contra auto-sabotagens. O que tem me ajudado bastante é ter uma rotina de organização, mas ainda sim às vezes fico muito ansiosa achando que não vou conseguir.

    • Oii Bárbara, fico feliz em te ver aqui de novo. Não é fácil mesmo!! Eu sou super organizada e quando fico “bagunçada” eu enlouqueço. Acho mesmo que manter uma rotina e uma listinha de coisas pra fazer me ajuda muito a ficar cada vez mais consciente sobre onde invisto o meu tempo. Compartilho muito esse teu feeling ;) Beijo

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