Mas que bagunça eu fui fazer? Sem perceber te trouxe pra minha vida e compartilhei o melhor de mim – ou o que eu pensava que era o melhor. Como peças de Lego espalhadas pelo chão, expus meus dramas e como eu encarava os meus dias. Até hoje não entendo porque abri um espaço, que nunca antes existiu, só pra você entrar, sentar e brincar.

Talvez tenha sido a forma como você me olhou ou como eu me senti por ter alguém que realmente queria me ouvir. Eu não brincava mais de telefone sem fio e você realmente queria entender o que eu dizia. A atenção que recebi de você encaixou direitinho no cesto cheio de brinquedos mas que sempre cabe mais um. E eu quis brincar, oras.

Eu não estava sendo somente irracional, mas também egoísta. Quis te manter ali perto de mim só pra você continuar me fazendo bem. O mestre mandou e você obedeceu. Não sei como, mas você fazia eu me sentir menina de novo. Parecia que eu não tinha mais responsabilidades e nem uma vida que deveria estar pronta aos vinte anos. Eu estava atrasada, como sempre.

Sabe como é, eu realmente não precisava dessa confusão toda. Eu só queria brincar e bater papo – coisa de adulto. Quis que você enxergasse mais do que mostrei, só pra você saber que eu sou mais do que tenho me permitido ser. Tudo o que quis foi verdade, quando até isso não fazia sentido. Deixei a vida pronta pra depois – até porque eu nunca procurei por morada.

Agora estou me afogando nessa contraditória bagunça adolescente. Não sei porque escutei o meu ego, quando a minha mente gritava que eu devia correr pra longe de toda essa confusão. Ainda assim, teimei em procurar o que eu sabia que jamais encontraria. Caça-tesouro. E tudo isso só pra curar a minha carência de menina mimada. Eu estava errada, como sempre.

Mas que bagunça eu fui fazer? Não faço ideia. A todo momento a vida me lembra que eu não tenho controle algum. Não era pra você ter acontecido, mas parece que eu fiz questão de esbarrar em ti e arrumei espaço e tempo pra brincar só porque era você. Não era pra eu ter me perdido no meio de tantos brinquedos, mas aconteceu. E a bagunça, como arruma?

Aquela que fez da escrita o próprio divã. Crítica da vida alheia nas horas vagas. Curte um bom texto, vinho e jogar conversa fora. É viciada em paçoca e risadas. Tem coração bobo, cabelo pintado e desastres acumulados na cozinha. Atualmente mora em Sydney – Austrália.

2 comments on “Mas que bagunça eu fui fazer?”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *