Se me perguntarem eu vou mentir. Pensei em dizer que não tenho medo e que você não me causa efeito algum. Pensei até em fazer pouco de ti. Vai que assim eu consiga disfarçar esse elefante branco entre a gente? Vai que assim eu consigo esconder um pouco da minha intensidade? Eu vou mentir sim, e esconder o que eu sinto, como eu sinto e o quanto eu sinto.

Se me perguntarem eu vou desconversar. Pensei em contar uma história qualquer, assim a gente muda o foco da conversa. Posso até falar sobre política, mesmo que eu não acompanhe. Posso até falar sobre economia, mesmo sendo péssima nisso. Assim eu consigo esconder todo o meu caos, nem que seja um pouco. Vou desconversar sim, até porque assim eu não te assusto.

Se me perguntarem eu vou dizer que você não me entende. Vou fingir que você não lê a minha alma e não sabe como eu reajo quando a vida bate. Assim eu me sinto segura e no controle. E dessa forma eu te engano só pra você pensar que tem mais por aqui, só pra te fazer acreditar que eu não sou apenas bagunça.

Se me perguntarem eu vou bancar a indiferente. Vai que assim eu me engano? Vai que assim eu consigo fingir que você não me traz paz? Pensei até em dizer que sempre fui indiferente. Pensei em te tratar como mais um. Achei que a ideia de te jogar num balaio que não é seu, só pra continuar no controle e não me perder nas minhas incertezas, era boa. Só achei.

Se me perguntarem eu vou fingir que superei. Vou ensinar o meu corpo a reagir perto de ti – como se você não fosse especial. Vou me programar pra não te responder muito rápido quando você me marcar em memes que são a nossa cara. Vou fingir que meu coração tá sob controle, ou melhor, que eu ainda tenho controle do que eu realmente sinto.

Se me perguntarem eu vou disfarçar. Pensei em fingir que você não é a minha referência, o meu primeiro pensamento ou o meu riso fácil. Pensei em disfarçar como se você não fosse a justificativa da minha história. Espero que ninguém pergunte, pois você é uma daquelas perguntas sem resposta. Mas se me perguntarem eu vou fingir que não faço ideia porque te guardei dentro de mim.

Aquela que fez da escrita o próprio divã. Crítica da vida alheia nas horas vagas. Curte um bom texto, vinho e jogar conversa fora. É viciada em paçoca e risadas. Tem coração bobo, cabelo pintado e desastres acumulados na cozinha. Atualmente mora em Sydney – Austrália.

7 comments on “Se me perguntarem”

  1. Beca.
    Como lidar com esse texto?
    Fico imaginando o quanto de esforço é necessário para enganar aos outros que o outro ainda não mora na gente, e o quanto impossível é enganar-se a si mesmo.
    Delícia ler suas palavras ♥.

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