Existem diversos blogs e sites de relacionamentos que oferecem ajuda para conquistar o amor – as próprias redes sociais são um exemplo disso. Mas cá entre nós, sempre tem aqueles sites que dizem ser o salvador do seu desespero. Eles te passam dicas – inéditas e únicas – de como conquistar ele e/ou ela. Ensinam como se vestir e se comportar, onde levar a pretendente e até o que falar.

Fala sério, não acredito que hoje alguém ainda se permita ser mapeado. Acho justamente o contrário: a maior característica dos relacionamentos é o próprio terreno desconhecido. É você não saber se ela acorda de bom humor ou não. É você não saber quão potente é a TPM dela ou o quanto você será atingido. É exatamente isso, não saber.

O que move uma relação também tem o desconhecido como elemento principal – já escrevi sobre isso aqui. A curiosidade aguçada é o melhor tempero de um relacionamento. Não estou falando que depois de anos juntos não exista mais interesse nem nada do tipo. Só que realmente acho bizarro precisarmos de dicas de como lidar com alguma situação amorosa. Temos isso em nós mesmo, algo chamado de instinto. A diferença é que uns sabem usar e outros não.

Então porque cargas d’água as pessoas continuam escrevendo e “ensinando” como conquistar alguém? É bem esse o motivo: as pessoas ainda procuram respostas. E é claro, o que dá audiência continua sendo feito. Eu diria que a falta de confiança explica essa busca infundada sobre como agradar determinada pessoa, mas também vem o elemento carência. Hoje as pessoas se sentem mais sozinhas, justamente pelo fato de todos estarem conectados o tempo todo. Contraditório não?

Estamos mais expostos do que nunca, nossos perfis tem tudo sobre nós. Música, livros, arte, time de futebol – está tudo lá. E realmente acho um talento fingir alguma surpresa quando você já sabe do básico sobre a pessoa. Aí vem e me falam sobre a análise da linguagem corporal, de ser decidido, olhar nos olhos e saber conversar – eu sou nova, mas conheço tudo isso como química.

Tem que ter o feeling da coisa – a tal da pegada. Mas é como falei acima, uns sabem e outros não. Acho que quem escreve querendo ajudar não está errado, uma ajudinha nunca é demais. E caso o texto não ajude pelo menos te faz rir. Errado é quem duvida da capacidade que tem e procura dicas bizarras tentando tornar-se um padrão seguindo dicas de alguém que não é certo que foi bem sucedido.

Nunca testei essas dicas e por sorte nunca testarei. Mas realmente acho que o ideal é um clichê também: seja você mesmo.