Tinder

A tecnologia facilita ou atrapalha a sua vida? Você se esconde ou se salva com ela? Acredito que chegamos a um nível onde a facilidade diária que a tecnologia nos proporciona deve ser questionada. Afinal, as nossas vidas ainda são off-line? Existe o off-line X o online, ou esses dois mundos já se misturaram?

É no meio desse impasse que eu levanto dois pontos: nós conseguimos ser inteiramente digitais? E o que a tecnologia realmente não conseguirá substituir? Eu tinha certeza de que as relações humanas jamais seriam substituídas. Isso foi até eu conhecer os smartphones, salvadores da pátria; a Sex Shop, lojas onde se encontram diversas tecnologias incríveis pra te dar prazer; o BreakUp Text, aplicativo para terminar o seu relacionamento por você; o Tinder, aplicativo facilitador da azaração;  e até as próprias redes sociais, ferramentas que te tornam “antissocial”.

Todos esses facilitadores podem deixar as pessoas covardes quando desconectadas. E, automaticamente, deixá-las desinibidas no mundo online. O diferencial da internet, por exemplo, é o anonimato. Todos podem tudo e o céu é o limite. É fato que por trás da telinha, ninguém te vê e você pode ser e fazer o quiser – o Obama que o diga…

É permitido falar com a gatinha sem ser tímido. É permitido colocar uma foto tratada no Photoshop pra tirar as suas espinhas de virgem. É permitido escrever, mas não mandar. É permitido fingir que não leu/recebeu. É permitido se mostrar inteligente ou culto, festeiro ou caseiro. É permitido mostrar uma vida que você não tem. É permitido marcar sua amiga naquela foto em que você saiu linda e ela saiu feia. É permitido brigar com o boy magia porque ele visualizou a mensagem, mas não respondeu. É permitido ostentar, mesmo que você não curta funk. Enfim, tudo é permitido e por 24 horas.

O que fica disso tudo é o quanto substituímos momentos e experiências fundamentais. Desde quando o touchscreen é mais importante do que o toque humano? Até onde o uso do touch tira a nossa verdadeira capacidade de tocar? Por que nos sentimos mais a vontade com uma interface amigável do que com os amigos?

A relação olho no olho pode ensinar muito mais do que qualquer chat online. E quanto menos vivenciamos, mais nos sentimos despreparados e acabamos precisando de subsídio por parte dos aplicativos e tecnologias para viverem por nós. E no fim das contas invertemos o jogo: não publicamos mais o que acontece em nossas vidas, mas vivemos para ter o que publicar.