Sabe o que anda ao lado do perigo? A carência. Tudo bem, não é perigoso ao ponto de matar alguém ou enfrentar algum tiroteio, mas não é nem um pouco confiável. É quando estamos carentes que corremos riscos, aceitamos o inaceitável e fazemos o impossível.

É que essa tal carência tem uma mania terrível de não ser nada inofensiva. Ela é a culpada por nos tornarmos fácies e deixar passar longe o famoso “valor próprio”. Ela é o motivo que leva muitas pessoas a aceitarem qualquer tipo de relacionamento apenas para evitar a solidão.

Não que eu esteja defendendo “ficar junto” ou “estar só”, não tem nada de errado com nenhum dos dois. Apenas acho que não devemos agir de forma automática ou nos deixarmos levar por estímulos nada confiáveis. Muitas vezes nem é carência, apenas uma falta de “alguma coisa” que você não tem e a “vizinha” diz que você deveria ter. Mas vai que você, justamente você, nasceu pra ficar sozinha e super curta a própria companhia?

Eu sou suspeita pra falar, já que quase sempre estive acompanhada – e por sorte, com a pessoa certa. E é claro que é bom ter aquela tampa da panela. Mas também é fundamental deixar a panela sem tampa por um momento, às vezes ou sempre. Isso não é ensinado na escola. Afinal, homem casa com mulher. E pronto. Não nos ensinam que existem inúmeras opções, e dentre elas, ficar sozinha é uma.

Sinceramente, infeliz mesmo é quem acha que a felicidade está no outro alguém. Infeliz é quem sai sem vontade de sair, come carne querendo comer frango, compra por comprar, dá por dar, dança porque estão todos dançando e nunca estoura o pacote de dados do seu 3G. Infeliz, é quem não é autossuficiente e desconta a sua frustração na felicidade alheia. E daí que ela é feliz sozinha? E daí que ele é feliz com ele? E daí que ela é feliz com dois?

Em terra de cego, quem tem um olho é rei. Não é mesmo? Então, para os ceguinhos de plantão, meu recado é um só: olhe para si mesmo. Deixe de ser tão ressentido e tenha paciência. Já dizia Machado de Assis, “o que é seu às mãos lhe há de vir.” Não deixe que a carência te tire o que há de melhor, sua autenticidade. Não deixe que a comodidade te maltrate tanto assim. Se a solidão te assusta, acredite, a culpa é do seu próprio ponto de vista.