Eita que eu te deletei de novo! Mas também, o que cê queria? Eu tenho que lidar com a minha falta de controle quando se trata de você, com todas as realidades alternativas que invento, e confiar ao universo as palavras já ditas. Eu não sou de falar, cê sabe, e vai saber porque falei mais do que devia pra você. Maldito ego, mas faz o que? A palavra dita não volta.

Devia ter te deletado antes, isso sim. Mas não, fiquei valorizando a tua atenção e achando que você me achava especial. Achei que você realmente entendia a minha alma, e acreditei na versão que criei de nós dois. Mas se nada disso é real, eu não faço ideia de quem você é e o que pensa de mim. Será que não é a tua vez de dizer o que precisa ser dito?

Eita que eu te deletei de novo! Vê se eu tenho tempo pra querer que alguém me ache especial? Pra esperar por uma conexão de almas quando nem olhamos nos olhos? Pra ficar de drama esperando resposta? Não, não – meu amor próprio não deixa. Eu quero é ter os boletos em dia, terminar o curso, focar no treino, e que a minha tia não pergunte dos namoradinhos no Natal.

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Sabe como é, fingir de louca tem um limite, e eu já cruzei essa linha há tempos. Se estávamos no lugar certo na hora errada ou o oposto, eu nunca vou saber. E é por isso que eu fico transtornada quando é você, implorando por uma atenção só pra aliviar o peso do quase, querendo sentir os teus olhos em mim de novo só pra justificar o que nunca teve justificativa.

Eita que eu te deletei de novo! É que silêncio também é resposta, sabe? Então não deu mais pra continuar bancando a adolescente e fingindo que você não mexe comigo. Você já sabe de tudo, oras. No mais, esse tal de amor próprio não me deixa te mandar mensagem, me faz te deletar e nunca mais querer saber de ti – porque você me tem sem filtro, e isso é perigoso.

Devia ter te deletado antes, isso sim. Antes de me sentir à vontade com você, de achar que você é diferente, de te entregar o melhor de mim, de dizer o impossível, de assumir riscos incalculáveis, de te transformar em drama e poesia, de te entregar a minha verdade, inventar a tua e acreditar em nós dois. Mandei mensagem e deletei – de novo.