Li vários inícios de textos no final do ano. Textos motivacionais que davam dicas de como fazer um ótimo ano. Marquei todos para eu ler depois, já que o assunto estava sendo muito falado e eu acabei perdendo o tesão. Tudo que é demais enjoa, já dizia a minha vó. E já que meu ano começa agora em abril, nada mais justo do que me aventurar neste tipo de leitura. Por fim, concluí que estes textos não mereciam nem a minha marcação para ler depois.

Francamente, todo mundo anda meio psicólogo por ai e por aqui também. Todos tem uma opinião sobre o que devemos fazer e do quanto estamos errados. Acho raro quando o lado positivo é considerado. Ninguém comenta o quanto foi bom não ter ido a tal festa, ter deixado de beber só para dirigir, por não ter estourado o limite do cartão de crédito – nem que tenha sido apenas por um mês, dizer sim, dizer não ou talvez apenas por não dizer.

Falando de forma irônica, acho bem “bacana” (em aspas porque bacana é feio) quem fala de como ser feliz. Mas será que quem fala e ajuda os outros nesse quesito realmente tem a felicidade como companheira fiel?? Minha mãe falava que quem muito mostra pouco é. Se alguém mostra ser muito feliz, é porque é muito triste. E quando alguém se mostra muito resolvido, é o contrário…

E todo esse papo macabro sobre começos e finais de ano automaticamente me lembrou do cara que “criou” a enciclopédia. Sim, alguém ainda lembra dela? Pros novinhos, basta saberem que a enciclopédia era o Google de antigamente. Quem teve essa sacada genial – pra época, foi Denis Diderot. E ele também falava algo como “há apenas um dever: o de ser feliz”. Então, fala sério, importa mesmo o que você fez no ano passado e o que pretende fazer no ano que chegou? Não. Desde que o final resulte em felicidade.

Feliz feliz feliz

Caso você precise de justificativa para gastar energias no local correto, tem um tal de Maquiavel que falava sobre fins e meios. E se ainda não for o suficiente pra você apertar o botão responsável por acionar a felicidade, também tem outro mocinho da história – Oscar Wilde, que afirmava sobre como viver é raro, já que a grande maioria apenas existe e desiste.

Isso não é texto de autoajuda, mas não importa o que você faça ou sobre o que o seu horóscopo para o dia/mês/ano indiquem, a verdade é apenas uma: a sua felicidade só depende de você! Você não precisa de textos motivacionais. Você precisa criar vergonha na cara e parar de ser influenciável. Deixe de lado o que foi feito e de como saiu errado, foque no que é possível fazer para dar certo. Este é um ponto de vista um tanto óbvio, mas o passado não volta e você não consegue garantir que sete sementes de uva vão te trazer sucesso e amor – infelizmente, é claro.