Depois de tanto tempo rondando as baladas e participando do festival zumbi da pegação, eu tenho que admitir que eu estou cansada. Depois de muito vasculhar por ai afora, muito seguir o padrão hipócrita de ser, muito me sujar com caras que não mereciam minha atenção, estou assumindo o quão exausta eu estou. Realmente se houvesse alguma toalha para ser jogada, eu jogaria.

Mas não tem não é? Nós temos que continuar como se não fosse importante, como se a solidão não fosse pesada demais. Como se a auto-suficiência realmente existisse. Eu cansei desse “um por um”, visualizar e não responder, falar de mim só porque eu sou livre demais. Então, seja quem for que está reservado para a minha vida, chega logo, por favor.

Não que eu esteja desesperada por homem, não sou dessas. Mas estou completamente desesperada por sossego e calmaria. Estava precisando que alguém cuidasse de mim e me fizesse dormir tranquila. E se possível, alguém pra falar o quão linda eu sou só de camiseta. É que o look saia e cropped com o copo de cerveja na mão tá meio cansado, sabe? Então eu queria muito pular para a parte da cervejinha em casa com os amigos.

Ia ser bem legal se essa pessoa batesse à minha porta. Pra me olhar sabe? Tantos já olharam e não viram. Outros olharam e fingiram ver. E outros nem se deram ao trabalho. E se não for pedir muito, que o recém chegado também repare no meu dedinho do pé feio e no sorriso comprado com dor.

Porque de dor eu tô cansada. E sabe, não me importo se esse fulaninho chegar formatado, talvez até seja melhor. Pode vir para bagunçar, para causar o caos nos meus livros e rir de todos os romances melados que eu tenho. Sou dessas que compensou muito do que me faltou com livros.

E o mais importante é que venha para contribuir, sabe? Existe um vazio a ser preenchido, de preferência com autenticidade. Existe uma carência encravada na minha pele, que eu sei que vai insistir em ficar. E acima de tudo: existe uma imensa vontade de compensar todo o tempo perdido.