Abomino casais que não tem vida independente – e olha bem quem tá falando?! Mas falando sério, todo espaço é fundamental, e acima de tudo, toda independência é bem vinda. Não é porque vocês são um casal que as decisões e os pensamentos devem ser os mesmos, combinado? Vocês ainda podem – e devem – pensar diferente, isso é saudável.

Ele saiu pra jogar futebol? Ótimo. Cumpra a velha promessa de recomeçar sua academia também. Ou então marque o happy hour com as amigas. Nada melhor do que ele chegar em casa relaxado do futebol e você do álcool e das fofocas.

Mas não me venha com vigilância cerrada e troca de senhas desesperadas, por favor, meu amor! Trocar senhas ou “roubar” não te deixa próxima dele e nem melhora a intimidade entre vocês.  O clima no ar é de pura desconfiança, terrivelmente terrível.

Pra mim intimidade se constrói com o tempo, e é só o tempo que vai te dizer o que o boy magia ainda não disse. É só com o passar das estações que você vai perceber as manias, o temperamento e a forma de agir no dia a dia que inbox nenhum te fala e nem vai falar.

É que se pensarmos bem, intimidade não é nós sabermos tudo sobre a pessoa e vice-versa. Acredite, não tem muito sentido nisso. Se for assim, o que vamos ter pra descobrir amanhã? De rotina ninguém gosta.

Independência ou morte

Acredito que os casais que trocam as senhas acabam optando viver apenas uma vida, e não suas próprias vidas. Imagine comigo: caso você tenha recebido um e-mail interessante de uma amiga sua, ou vá lá de um ex seu, e quando você for contar pro boy magia ele responder simplesmente um “já sei, eu li”. Muito decepcionante, concorda?

E chegamos à grande questão: confiança. Você realmente tem se relacionado com quem você confia? Pra que fuçar tanto o Facebook do gatinho? O que tem ali que te preocupa? Acredito que esse “controle total” é totalmente furado. Primeiro: é fácil apagar qualquer vestígio. Segundo: você não controla as vontades dele. E terceiro e mais importante: quem pede a senha em sinal de confiança, pra mim, não confia.

Existe uma linha tênue entre mulheres inseguras e mulheres desequilibradas. Por sorte, eu me encaixo como uma mulher insegura. Nunca fui de fuçar a internet e subornar o Mark pra ver os vestígios do meu marido. Temos dois computadores em casa com logins automáticos, um pra cada – nunca tive curiosidade pra ver o que rola por ali. Isso faz de mim a exceção ou a regra?

Acontece que o que eu quero saber eu pergunto e pronto. Simples assim. Intimidade e confiança são construídas de forma espontânea. A confiança é construída uma vez apenas, depois disso existem duas possibilidades: ou uma base muito sólida ou, se falhar, muitos destroços. Acredito fielmente na ideia de que duas pessoas podem ser muito íntimas, fiéis e parceiras e mesmo assim preservar suas vidas particulares. E você?