“A semana inteira com um sol radiante e justo no final de semana tem que chover?” – Ela esbravejou, estava realmente irritada. Tinha com ela apenas uma certeza: com chuva ou sol ela iria sair no final de semana.

O celular parecia uma nave espacial, não pelo design ou funcionalidades e sim por tudo o que ela fazia ao mesmo tempo. Além de compartilhar em todas as redes sociais possíveis que iria sair, ligava para as amigas para marcar o horário e o local. De quebra pedia opinião sobre a roupa e a maquiagem. Quando a obra de arte ficou pronta postou uma foto no Facebook e saiu.

No elevador analisou bem o seu rosto e se assustou: não pela maquiagem ou alguma espinha gigante, mas se sentiu tola pela primeira vez. Havia uma semana que descobriu que a vida não espera e não dá trégua, para ser mais precisa desde domingo. De qualquer modo ela corria contra o tempo.

Não era aproveitar o que ela queria e também não estava em busca apenas de diversão. Ela procurava parar de perder tempo. É claro que após uma desilusão amorosa essa é a primeira opção, mas ela procurava não pensar. Queria apenas que o sentimento de fracasso saísse do corpo dela junto com o perfume do ex.

Afinal de contas para quem trai não é reservado nenhum espaço no pensamento, muito menos no coração. Ela planejou sair com as amigas e não deixou ninguém levar os respectivos acompanhantes. O que ela menos precisava era se sentir carente.

Carência é o ponto fraco de qualquer mulher em qualquer período. Mas nenhuma mulher merece terminar uma relação e estar na TPM ao mesmo tempo. Se ela pudesse daria todo dinheiro ao homem que inventou o chocolate e o açucar. O tema “estou gorda” viria só dali a alguns dias, então ela não adiantou a preocupação.

Dirigiu com toda a segurança do mundo pela primeira vez. E também pela primeira vez ele não estava ao lado dela para gritar a cada erro ao volante. Sentiu-se sozinha: o banco do passageiro vazio mostrava exatamente como estava o seu coração. Ligou o som e não pensou mais.

Chegou ao lugar marcado no horário, ao contrário do que costumava fazer. Respirou fundo e saiu do carro. Pensou que agora seria apenas ela contra o mundo. Um grande engano, é claro. Ao encontrar com as amigas percebeu que sempre as teria, como família e porto seguro.

Os amores vão e ficam. Ou não, apenas passam. Amores, sentimentos e tudo o que está relacionado a isso é totalmente relativo e inconstante. A única invariável é a amizade, mesmo que nunca seja descoberto o resultado.

O mundo acontece no ritmo das mulheres e é feito para elas. E é exatamente por esse motivo que apenas elas se entendem. Essa matemática não é lógica ou racional, é a pura forma de ser mulher.