As revistas femininas no início do ano são super motivacionais, não é? Elas te lembram de que em 2013 você não conquistou um namorado, não atingiu o orgasmo e nem emagreceu o que queria. Não conseguiu o emprego dos sonhos, não fez as pazes com a academia, não entrou para o grupo de voluntários e nem arrumou o guarda roupas – apenas deu um jeito para as suas últimas compras entrarem. E de quebra, a revistinha, que infelizmente não é mais em quadrinho, ainda te dá como exemplo de mulher bem resolvida a atriz principal da novela das oito.

Mulheres bem resolvidas poderiam ser um tema de mestrado, discussão em bar, ou ainda almoço de família. Talvez o Sérgio Chapelin queira saber: quem são? O que comem? Onde vivem? – dá até pra ouvir a trilha do Globo Repórter, não é? A grande questão em aberto é: por que a maioria das revistas faz referência a vida sexual como ponto chave para se tornar alguém bem resolvido? Será que realmente tem fundamento ou é só pelo simples fato de que sexo vende?

Sobre mulher bem resolvida e sua vida sexual

O que torna uma pessoa bem resolvida? Conversar abertamente sobre sexo? Frequentar sex shops e experimentar seus produtos? Fazer sexo casual? Dançar sem pensar? Realizar fantasias? Guardar segredos? Compartilhar momentos? Não ter medo da balança? Saber se vestir? Não saber se vestir? Não importar-se com a mediocridade alheia? Pagar o flanelinha? Ter um relacionamento aberto? Fechado? Semiaberto? Não ter um relacionamento? Mas afinal, que diabos torna uma mulher bem resolvida?

E ao mesmo tempo é meio incômodo pensar o que realmente poderia tornar uma mulher mal resolvida. Alguém ressentida com o que não fez? Com o que não realizou? Aquela que deixou de ficar com o gatinho que queria? Pulou a ida à sex shop e a fase do ménage por vergonha? Alguém que se acostumou com o trabalho só porque paga as contas? Quem reclama muito? Quem nunca está satisfeito, mas não muda? Aquela que só ensaia, mas não cursa a faculdade que realmente quer? Aquela que mais sonha do que faz? Alguém que não dança, não bebe, não fuma e não fode?

E o mais inquietante nisso tudo: afinal, bem resolvida para quem? Quem determina o que é ou não ser bem resolvida? O que é bom para um, pode não ser para o outro. E aí, como faz?

Entre os grupos de pessoas “bem resolvidas” e “mal resolvidas”, acredito que o que define quem vai pra onde é o grau de seriedade de leitura de cada um.  Acredito que a mulher bem resolvida é aquela que dá risada de todos os métodos infalíveis que as revistas ensinam. Ela tem um jeito de levar a vida que é só dela e nenhum jornalista jamais conseguirá esse furo pra colocar em reportagem alguma. E, cá entre nós, mulher mal resolvida por mulher mal resolvida, nem mesmo ela sabe o que quer.

Então, tem apenas um método infalível para que os seus planos de 2014 saiam como o planejado: dê risada de todas as dicas que você lê. Inclusive das minhas mal traçadas linhas.  ;)

#happynewyear