As festas de final de ano servem para duas coisas: comprar e culpar. Compra-se tudo o que não precisa e culpam-se todos pelas falhas ou planos frustrados. Albert Camus uma vez falou: “O que é a felicidade além da simples harmonia entre o homem e a vida que ele leva?”. A questão é essa: a vida que o homem leva.

Passa-se o ano imaginando, planejando e pensando. Já o quesito executar está estacionado. Deixa-se na garagem todos os verbos, como agir, cumprir e realizar.

Então chega o final do ano, Natal e ano novo mais precisamente, e o mundo para de girar. Existe uma pressão terrível nessa época e as pessoas se deixam levar por isso. A chamada depressão de final de ano não é nada mais do que a descoberta que mais um ano passou e nada foi feito – ou pelo menos algumas coisas não foram feitas.

Então onde está a harmonia citada por Albert Camus? A harmonia da vida é uma associação direta com o desfrutar de momentos. A vida é definida pelas oportunidades e aventuras e essa definição também conta para o que se deixa passar.

Tanto o comércio quanto os consumistas ficam insanos. O agito dos centros comerciais é suficiente para demostrar o quanto o Natal virou uma data de vendas. Não existe mais o verdadeiro espírito, as crianças compram junto com os pais os presentes e acabou a fantasia do papai Noel e a cartinha escrita.

Não são apenas casos natalinos desconsiderados, são tantas coisas relevadas no decorrer do ano que quando se chega aos 44 minutos do segundo tempo todos querem marcar o gol – mas precisamente nos 10 segundos antes da virada. Então se repara no que ficou para trás, sobram 8 segundos e 20 milésimos para repensar e prometer tudo o que irá fazer no ano que está chegando. Fogos de artifício estouram: o ano novo chegou.

De qualquer maneira o surgimento de um novo ano mexe com o psicológico das pessoas. Realmente acredita-se que os problemas vão ficar junto com o ano passado e também tudo o que desagrade. Besteira! O ano novo não é nada mais do que o início da recontagem. Tic-tac o tempo está passando.