OK, que foi um sucesso de vendas a trilogia “50 Tons de Cinza” todos sabem. Que tem gente fazendo contagem regressiva pra ir no cinema semana que vem, as redes sociais confirmam. Que teve e vai ter muito casal brincando de ser o Sr. Grey, eu desconfio. E que o botão de replay do trailer do filme tá gasto, eu não duvido. 

Mas tem um ponto principal nesse oba-oba todo com o Sr. Grey que temos que debater. Tem gente que ainda não percebeu o motivo de todo esse barulho. Quando você comenta sobre a trilogia aparecem respostas como: “o livro fala do cara que bate na mulher e a mulher que gosta de apanhar” – ou algum comentário patético assim. Eu realmente acho que algumas pessoas não perceberam a importância de um livro ter não só estourado as vendas, mas um pouco desse conceito terrível sobre a sexualidade feminina.

Talvez tenha sido o começo de um novo tipo de leitura para as mulheres. Talvez tenha sido o responsável pela reanimada em muitos relacionamentos. Talvez tenha sido pra descobrir algumas fantasias – agora aceitas, porque foram mencionadas em um best seller. Talvez as leitoras tenham encontrado uma “liberdade” pra fantasiar sem culpa e perceber que não existe limite sexual e nem certo ou errado.

Entendam de uma vez por todas: não é porque ele milionário, dá uns tapas nela e eles tem um final feliz que a mulherada se encantou com o sofrido Sr. Grey.  Definitivamente não. O que encantou é que ele é um cara envolvente, até mesmo na superficialidade. Digo isso porque mesmo sem querer um relacionamento ou se aprofundar, ele se entrega. Ele olha, deseja e quer a protagonista com o mesmo anseio de uma primeira vez. Ele decora o corpo da personagem com a ponta da língua. Ele a admira. Ele não tem pressa. Ele enxerga a reação dela ao toque dele, ele presta atenção se está agradando ou não. O Sr. Grey sabe ler a mulher que tem nas mãos.

Porque as mulheres se encantam com o Sr. Gray

Acho que não é construindo muros que você vai chegar perto de se entregar. Não é com posições acrobáticas que se agrada ninguém. Não é com uma língua que faz o alfabeto que o sexo é feito. Não é com a luz apagada. Não é com pressa. Lição básica de vida: esqueçam os filmes pornôs. Saibam olhar, saibam envolver. Saibam agir e reagir. Saibam mostrar o que vocês sentem – sem importar mais nada.

Pra mim a trilogia não é erótica. Ok, admito, tem umas cenas interessantes. Mas apesar disso, o livro transborda romance. Tem um cara sofrido e uma fulaninha simples. Não acredito que os protagonistas estavam esperando pelo final feliz, mas acredito que quando juntos eles enxergaram além de uma relação tradicional. Sem dúvida conseguiram construir a relação deles como quiseram e deixaram de canto os julgamentos para se entregar e sentir o que tivessem vontade. Eles focaram no próprio bem estar e foram aproveitar. Final feliz melhor que esse eu não conheço. E você?