Se você fosse deixar um recado para você mesmo ler no futuro, o que você diria? Quais os pontos a serem detalhados e quais seriam omitidos? Seria uma carta escrita ou digitada? Talvez apenas um Tweet ou uma foto no Instagram? Você conseguiria resumir a sua experiência de vida com 140 caracteres ou uma imagem?

Eu, caro leitor, não falaria muita coisa. Talvez apenas mencionaria o quanto as coisas foram boas e ruins, e o quanto o equilíbrio faz parte do nosso dia a dia. E é claro que optaria por utilizar o Youtube como ferramenta de comunicação comigo mesma, um vídeo é o mais próximo que vou chegar da história realmente vivida – tipo novela mexicana, só que baseada em fatos reais.

E você? Faria uma análise sobre a sua infância e os erros e acertos? Falaria sobre como é ser criança e acreditar em sonhos? Ou iria mais para o caminho da desilusão, rindo de como era ingênuo? Dizem que rir de si mesmo é sinal de aprendizado… Você deixaria um conselho para o seu futuro ou um desabafo sobre como foi chegar até ali? Optaria por pressionar ou incentivar a si mesmo? Diferente do que os roteiristas de cinema escolhem, vamos considerar que a sua própria comunicação com o “você futurístico” não faça interferência sobre os acontecimentos que virão e também não te faça deixar de existir – as tramas do filme “De volta para o futuro 17” não são verdadeiras.

Se fosse assim, o que você registraria? Você mencionaria sobre o caos político atual? Sobre uma presidente mulher no governo do Brasil ou sobre as manifestações do povo nas ruas? Explicaria sobre a cura gay ou deixaria essa alfinetada ao senso crítico do brasileiro cair no esquecimento? Deixaria claro que a imparcialidade da imprensa é mito e só existe nos livros didáticos? Comentaria que a liberdade comportamental e de expressão é um pouco fajuta ou deixaria para o seu “eu mais velho” descobrir sozinho?

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Citaria que tem muita mulher mais homem do que muito homem? Falaria que tem muito homem mais delicado do que muitas mulheres? Explicaria sobre outros tipos de gêneros e de casamentos, além do masculino com o feminino, que nós nos permitimos admitir nos últimos tempos? Deixaria em caixa alta sobre as ideologias que o feminismo e o machismo pregaram por tanto tempo, terem virado apenas temas de blogs humorísticos famosos? Seria necessário explicar o que são blogs?

É natural que sempre quando registramos alguma coisa, a gente faça da melhor forma possível. Está aí a música, fotografia e arte que não me deixam mentir. Mas pra você, o que realmente é necessário ser registrado? O que você não lembra que deveria? O que lembra e preferia esquecer? O que merece a sua real atenção e destaque? E se merece, o que você está fazendo para isto acontecer? Apenas duas dúvidas me inquietam: você consegue responder todos os questionamentos deste texto? E se consegue, como se sente? O tempo está correndo: tic-tac, tic-tac, tic-tac…