Sou fã de uma camiseta diva que tem os dizeres da Tati Bernardi: “Quem ri por último, Rivotril”. E eu pensei mesmo em comprar a tal da camiseta. E no meio dos meus devaneios de consumista eu comecei a questionar e ser um pouco mais crítica com a atual fase da felicidade social. No mesmo instante passou a minha vontade de comprar a camiseta – mas ainda estou aceitando de presente.

Quer dizer, você realmente TEM que ser feliz o tempo inteiro. Você não pode desistir de determinado assunto, tarefa, desafio. Você cumpre até o final porque esperam isso de você – e do contrário seria demonstrar fraqueza. Ultimamente estão nos impondo, além de uma Lula mulher, uma felicidade que muitas vezes não existe.


Ninguém é feliz sempre, e tudo bem também. Posso dizer que sou relativamente nova, mas a felicidade imposta de hoje em dia é diferente da felicidade que vivíamos há alguns anos… Tipo uma bebida que pisca, uma festa open bar que você ganhou, sapatos na promoção, ou a invenção do chocolate que não engorda: é tudo ao extremo demais. O simples passa longe de nos fazer feliz.

Aquelas cenas clássicas de filmes americanos onde as garotas ficam em casa, no sofá, atoladas de doces e vendo TV, por causa do término com o gatinho… ficaram somente nos filmes mesmo. Hoje essa “fossa” é saboreada a base de tequila com as amigas e postada no Instagram. Qual o problema de baixar a guarda? De não estar legal? De não se sentir tão bem assim? Depois a pessoa sai correndo atrás de divãs por todos os cantos e acha que o médico que não é bom! Ah, tenha dó. Se respeite e respeite o tempo dos seus sentimentos.

Rivotril: felicidade social

Mas está decretado, não tem jeito, você tem que ser feliz! Se vira e corre atrás. Dê um jeito de ser feliz o tempo inteiro, seja com o seu trabalho, suas amizades, seu corpo, sua conta bancária ou sua família – inclusive aquela tia que comentou sobre os seus quilinhos no almoço de domingo.

A sensação que eu tenho é que você tem que estar satisfeita o tempo todo e que questionamentos não são bem vindos. Será que essa é a nova ditadura? Tipo a ditadura da felicidade? Acontece que essa não é uma felicidade verdadeira. Então de que vale? A tristeza, os incômodos, a chateação, também fazem parte da vida. E eu não acho que tudo isso possa ser considerado uma doença gravíssima como vem acontecendo. Inúmeras pessoas correndo atrás da felicidade através de comprimidos – sério queridinha? Esse é teu melhor?

Que obrigação e cobrança toda é essa me explica? Por que eu realmente não estou entendendo. Sinceramente, tenho meus altos e baixos como uma mulher que tira e coloca um salto alto. Eu tenho pra mim que é exatamente isso que está tornando as pessoas cada vez mais infelizes: a busca por uma felicidade forçada.

Quer dizer, você esconde para o mundo o que está acontecendo, corre atrás de uma felicidade que não está ali naquele instante e não lida com o que realmente está acontecendo. O filósofo Mario Sergio Cortella explica que a felicidade é momentânea, mesmo que a vontade seja de que ela seja eterna. Quem não deseja que a felicidade se eternize, não é mesmo?

Viu? É um momento. E todo momento passa para outros virem. Pode ser que venha um tesão repentino, uma alegria, uma carência, uma tristeza, uma melancolia, saudade, agito, agonia, raiva, ciúmes… Enfim, os sentimentos são tantos, que eu realmente acredito que eles ainda não terminaram de ser catalogados.

Só te digo o seguinte: se não tá com vontade de sorrir, não sorria. Se tá mais down, fique na sua. Se for pra sorrir, pelo amor do santinho casamenteiro, puxe um sorriso que traduza sua alma. E se for pra ficar triste, tudo bem também, é normal e tens todo o direito de destruir o teu rímel de tanto chorar. Sou contra esse lado de autoajuda onde usam o imperativo de “faça”, “caminha”, “vença”. Sou a favor da parte mais a vontade do ser humano, onde ele faz se quer, caminha se tem vontade e vence se conseguir. Simples assim.

E caso você seja um desses paranoicos que correm a favor de uma felicidade estável, imutável e perpétua, você vai precisar de uma ajudinha extra: vai um Rivotril aí?