Bom dia culpa. Já que você chegou, pode entrar. Sempre soube do seu lado inconveniente, mas nunca fui preparada o suficiente para te receber. Sei que você entra com os seus olhos insinuantes e cheios do “eu sei de tudo”. Sei também que você adora atordoar algumas pessoas pós bebedeira. Afinal, qual o motivo da visita?

Se você está atrás de alguma rateada minha, sinto te decepcionar: não fiz nada de mais. Nada do que deva me arrepender, nada do que outras pessoas já não tenham feito. Você já passou na casa delas também? Não tenho motivo para receber a tua visita. É do teu feitio também, além de vir sem avisar, vir sem motivos?

O pior sentimento depois de uma mancada é a culpa. Você é má e sabe disso. Não acho que alguém faça algo que deva se arrepender ou culpar – tirando os corruptos, assassinos, estupradores e pedófilos (não que isso tire a responsabilidade dos atos cometidos). Por algum acaso você rodeia eles também?

Sempre fui da opinião que tudo é vivência. Os erros são como Biotônico Fontoura, você toma para ficar forte e grande. É meramente impossível crescer e amadurecer sem isso, falo tanto dos erros quanto do próprio Biotônico Fontoura. É necessário saber que dói cair para evitar a queda nas vezes seguintes.

Se você está falando do chocolate a mais que eu comi, com certeza você passará de visita para enfeite da casa. Idealizo você como a vilã da novela que no final vira a mocinha casada e grávida. Inicialmente você é terrível, mas depois descobrimos que não é nada mais do que uma visita na nossa consciência.

E sabem como é, se tratando de consciência ninguém ganha. Afinal de contas, ela é o equilíbrio de tudo. Então, chego a uma conclusão: a culpa é parente próximo da consciência e ambas tem apenas uma missão, a de incomodar.