Não acho que você precise ter o maxilar quadrado e nem tatuagem. Sou daquelas que optou por não se siliconizar. Não precisa vir ostentar teu carro no final da festa. De preferência comporte-se de uma forma convincente. Não, eu não quero ir para o restaurante mais top da cidade, gostaria muito que você deixasse eu te apresentar o pastel mais famoso de Floripa. Eu deixaria de canto o vinho caro para saborear uma laranjinha água da serra – inigualável – que ganha de qualquer bebida.

Não quero ir pra um clube em frente a praia ostentar e ter que ficar em pose de modelete. Se for para pegar praia, sou da turma da farofa. Sou de sentar na areia e deixar meus pneus – que não são zinhos – à mostra. Combinado?

Baladinha sertaneja é bom. E eu sei que eu adoro. Mas também curto um Zeca tocando de fundo enquanto você cozinha pra mim. Então, vamos trocar os planos de hoje? Eu passei por maus bocados te procurando.

Google: cadê o amor?

Chega de mostrar o que não é verdadeiro. Chega de gastar tempo com coisas que não acreditamos. Está tudo em meio ao caos. A originalidade anda escassa por aí? Por aqui ninguém nunca mais viu. Sinto que tudo é uma cópia barata do vizinho. Eu brindo à autenticidade. E era pra você ser o meu cara original.

Parei de ir contra o mundo, sabe? Deixei de lado as pessoas que esquecem de alimentar o caráter. Passei batido pelas pessoas que acabam esquecendo de alimentar o que tem por dentro também. Então eu simplesmente parei, só não vejo mais. Não dizem que a ignorância é uma benção?

Não quero competir com a mocinha que é gostosa mas não sabe o que fala – ou que fala gemendo. Não quero competir com a siliconada sem coração. Não quero competir com o cara que se garante porque está no camarote. Não quero tornar a minha vida uma disputa. Não quero te trazer para nenhum torneio. Não consigo competir com pessoas vazias, porque nesse exato momento eu estou cheia demais. E isso é parte culpa tua.

Não quero que você nunca seja derrotado e não tenha medos. A gente pode compartilhar os meus anseios, caso você esteja de bobeira. E eu vou adorar ouvir os teus. Você pode me acordar só pra saber se eu estou viva ou pode até conferir a minha respiração – vai que eu morra enquanto eu durmo? Nunca se sabe. A vida tem dessas de ser instantânea.

E nesse imediatismo da nossa existência, por onde você anda? O Google não me apresenta nenhum resultado útil. Será que eu estou usando as palavras-chave erradas? O que eu sei é que não inventaram máquina capaz de encontrar a alma gêmea. Desacredito nas pessoas que se cadastram no Tinder ou no OKCupid pra achar o pé de chinelo, mas sorte quando acham. Como as pessoas se encontram? Como eu te encontro?

Depois de tantas descobertas para estar conectado em tempo real, talvez o que não esteja na rede passe despercebido nessa selva de pedras. O que é uma pena, você jamais vai conhecer o melhor pastel de Floripa.

Aquela que fez da escrita o próprio divã. Crítica da vida alheia nas horas vagas. Curte um bom texto, vinho e jogar conversa fora. É viciada em paçoca e risadas. Tem coração bobo, cabelo pintado e desastres acumulados na cozinha. Atualmente mora em Sydney - Austrália.

18 comments on “Google, cadê o amor?”

  1. Que texto gostoso, é bem o que disse mesmo a originalidade esta escassa. E quando você tenta ser o mais original possível e foge dos padrões a chuva de criticas e dedos apontados é grande. curti bastante a forma como escreveu, sutilmente batendo na cara de quem tenta ser o que não é.

  2. “Sinto que tudo é uma cópia barata do vizinho. Eu brindo à autenticidade. E era pra você ser o meu cara original.” Texto incrível, como sempre!! Todas as palavras que tu usou se encaixaram muito bem. E pode ser clichê, mas realmente a gente acha quando não está procurando, né? Hoje em dia parece todo mundo igual, todo mundo querendo ser quem não é. Se deparar com alguém por aí que não esteja vivendo assim é uma raridade.
    Beijos <3

  3. Como é que faço pra te abraçar estando aqui em Sampa Beca?
    Sério seu texto tinha que ser lido muita gente guria, não só pra essas que são “famosinhas”, mas principalmente por aqueles que se acham assim só porque tem um pouquinho a mais. Tenho preguiça desse povo, mas que seira bom eles lerem umas verdades assim seria ótimo, aliás acho que nem se preocupam com leitura.
    Mas uma vez arrasou.
    Beijo

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