Eu achava que você ia voltar. Por isso nem me dei ao trabalho em aceitar a bad vibe que ficou quando o teu silêncio tomou conta. Eu achava que você ia voltar, bater na porta, contar um acontecimento qualquer do teu dia, e seguir como se tempo nenhum tivesse passado. Por isso nem pensei no que fazer com a tua parte da bagunça do quarto, eu achava que você ia voltar pra arrumar.

Não é como se a gente nunca tivesse se afastado antes. Fala sério, volta e meia a gente deixava a vida atropelar e escolher as nossas prioridades por nós. Não é como se a gente nunca tivesse metido o louco. E tudo bem. Depois a gente se esbarrava de novo, fazia graça com a vida e seguia em frente. Por isso nem pensei no que dizer quando me perguntassem de você.

Eu achava que você ia voltar. Por isso meio que fiquei esperando com o café pronto e o sorriso feito. Eu achava que a gente tinha isso de respeitar o espaço um do outro e que agora era um daqueles momentos em que você precisava que o teu silêncio fosse respeitado. Por isso eu aceitei o vazio do teu lado da cama, a quietude do café da manhã e a falta do teu assobio no chuveiro.

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Não é como se você precisasse explicar a tua ausência. Você nunca foi de dever nada pra ninguém, muito menos justificativas. Eu só achei que você ia voltar porque fazia sentido pensar isso, esse eu e você bagunçado mas que a gente entende. Ou entendia. É estranho te colocar no passado no meu discurso de hoje. E mais estranho ainda admitir que a gente se desencontrou.

Eu achava que você ia voltar. Por isso não me preocupei em ajustar o meu percurso ou em procurar por você. A gente sempre teve essa mania de seguir lado a lado mesmo quando o caminho fosse diferente. Como eu poderia saber que a gente ia se perder de vista? A gente sempre teve essa mania de seguir o fluxo natural do que a vida trás. Por isso eu achava que você ia voltar – só achei.