A ideia que você tem de mim é cilada. Sabe como dizem, somente quem fantasia reconhece a fantasia alheia. Então não se apaixone pela ideia que você tem de mim, até porque eu sou muito mais do que você poderia imaginar. Não é uma questão de ser óbvio, mas é fácil demais se entregar para uma mente desocupada.

Eu não estou disposta a desperdiçar o meu tempo sendo o que qualquer um quer que eu seja. Eu não aceito nada além de ser reconhecida pelo que sou e por quem sabe o que quer. Tic-tac, o tempo está passando. Então não pense que eu vou me diminuir só pra você dar conta – muito menos fingir algo que não é real. É tudo ou nada, sempre.

Vai dizer que você não sabe lidar quando a conversa foge de um roteiro mental? Autenticidade é o nome, conhece? Então me diz, o quanto você realmente sabe de mim? Você está mesmo tão fascinado pela criação da sua mente que não quer nada além disso? Você não pode aceitar o real e assumir que, nesse quase romance, você tem metade da responsabilidade?

A ideia que você tem de mim é cilada. Até porque eu não vou abrir mão da responsabilidade das minhas escolhas e desse romance que eu tento tornar real, mas que perco toda vez para os devaneios de uma mente bagunçada. Eu não faço mais isso, eu não me permito seguir pela mente quando isso magoa quem está à minha volta.

Talvez você nem tenha percebido a sua obsessão por um alguém inventado quando estou na sua frente com a minha natural imperfeição. Eu conheço bem essa cilada. Eu já brinquei mentalmente com realidades e pessoas alternativas, e sei como é parar de diferenciar o que é real do que é fantasia. Cuidado, não vai se perder.

Eu também já me deixei levar pelo potencial que uma história de amor poderia ter sem considerar quem estava envolvido. É uma cilada quando nos apaixonamos pela ideia construída de alguém. E aceitar essa cilada é dizer sim para uma decepção certeira. E disso eu não estou mais afim.

Eu entendo isso de se deixar levar pela mente e aproveitar do outro apenas para preencher um vazio em um conto de fadas mental criado por pura desocupação. A ideia que você tem de mim é cilada. Então deixe de canto qualquer meio rascunho de um diálogo já imaginado. Eu não sou de seguir roteiros e só aceito o que é real.

Sabe como é, você jamais vai conseguir me transformar em uma fantasia aleatória. Então não se apaixone pela ideia que você tem de mim. Não é e nunca foi minha responsabilidade me encaixar em uma imagem construída. Achei que amar era a dois, então me aceite pelo que eu sou ou me deixe existir sozinha.

Aquela que fez da escrita o próprio divã. Crítica da vida alheia nas horas vagas. Curte um bom texto, vinho e jogar conversa fora. É viciada em paçoca e risadas. Tem coração bobo, cabelo pintado e desastres acumulados na cozinha. Atualmente mora em Sydney – Austrália.

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