Querido Fernando Pessoa,

Sou uma grande fã tua e continuo acreditando em tuas palavras. Cada vez que leio encontro um significado diferente. Ontem eu li: “Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?”.

Senti que de certa forma você buscava por uma resposta. Como não sei se a conseguiste, resolvi te responder. Perdoe – me a ousadia, mas não suportaria viver com uma pergunta sem resposta – mesmo sendo uma pergunta poética.

Respondo-te o seguinte, não é apenas você que é vil e errôneo. Talvez você faça parte de um grupo restrito de pessoas que assumem o que fazem. A hipocrisia conviveu na sua época? Aqui ela é rainha.

Sinto que não nos cruzamos pelo mesmo período, mas se não fosse assim talvez eu nunca chegasse a conhecê-lo. Realmente acredito que você tinha um pensamento mais adiantado da sua época.

Algumas vezes eu ainda me pergunto se as pessoas no mundo são gente ou algum tipo de extraterrestre. Muitas vezes não encontro a resposta. A explicação é simples: vivemos em uma época onde as máscaras estão na moda. A fantasia de alienado ou extraterrestre estava na promoção.

Acabaram as serenatas de amor e ficou apenas o nome do chocolate. Agora as mulheres usam roupas justas e insinuantes e os homens não abrem a porta do carro. Não tenho nada contra e nem a favor sobre, de qualquer maneira achei que seria muito útil você ficar sabendo para não  correr o risco de levar um susto.

Descobriram diversos tratamentos para a cirrose caso lhe interesse também. Acima de tudo o que realmente acho interessante você saber é muito simples por sinal: os seus textos fizeram diferença pra mim.